quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Crônica de um Rei Atordoado

Pode um Rei desejar ver sua Esposa (a Rainha) nua? Não, este não é um conto erótico. Muito pelo contrário, é um conto sério e até mesmo com algumas passagens bastante hilárias, que em 1991 inclusive ganhou uma adaptação para o Cinema com o título: "El Rey Pasmado" com Gabino Diego no papel do Jovem Rei, assista ao trailer:


Crônica de um Rei Atordoado
Autor: Gonzalo Torrente Ballester
Título Original: Crónica del rey pasmado

No início do Século XVII, o Rei de Espanha - quase um garoto - após passar uma noite em um prostíbulo, confessa seu desejo durante uma missa em ver a Rainha nua, só que obviamente encontra a oposição da recatada Igreja da época. Os maridos só podiam fazer sexo com sua esposa na ocasião de terem filhos e ainda era recomendado que eles dormissem em quartos separados. Só que o Rei encontra um apoio totalmente inesperado um nobre Conde (vindo de não se sabe de onde) e um Jesuíta.

A tensão aumenta pois até mesmo a Santa Inquisição resolve entrar no jogo de proibição e começa a querer condenar o Rei por heresia. A população se sente dividida entre uns confessando que o desejo do Rei é legítimo e outros achando aquilo um total absurdo e assim a história se passa por várias facetas. Para piorar a situação o exército está em um momento crucial e a população começa a achar que o Rei pode acabar contrariando a Deus. O final é completamente inesperado e não pretendo de maneira alguma estragá-lo.

Este é mais um daqueles livros de bolso (bem curto com apenas 192 páginas) que rapidamente lemos e que em momento algum deixa de ser divertido.

Boa Leitura e até a próxima
Fernando Anselmo

domingo, 19 de janeiro de 2014

Cruzados e Intrigas uma boa combinação

Adoro os livros de História Medieval, e por favor não confunda "O Senhor do Anéis" ou "Crônicas de Fogo e Gelo" com histórias medievais, pois as terras passadas por eles sequer existiram é a mesma coisa de Conan. Livros de Histórias Medievais podem até ser fantasiosos, mas pode-se dizer que existe como cenário a parte histórica, por exemplo existiram os Templários e existiu realmente Saladino que foi um chefe militar muçulmano e se tornou sultão do Egito e da Síria. O que pode não ter existido e a história criada em torno deste livro.

O Laço Púrpura de Jerusalém
Autor: Jesús Maeso de la Torre
Título Original: El Lazo Púrpura de Jerusalén

Este é um daqueles livros que sabemos que a história vai ser muito boa logo nos primeiros capítulos. Começa com o julgamento do Templário Brian de Lasterra acusado de matar um colega Urso de Marsac e deserdar de Terra Santa, então o que temos é toda a história da vida de Brian desde sua entrada para lutar nas Cruzadas. Mas não pense que a história é apenas isso, pois também temos o roubo de alguns objetos de uma fortaleza Templária, o encontro de Brian com Saladino para devolver um Alcorão perdido, as disputas pelos lugares sagrados durante a Última Cruzada. Ou seja, é uma real novela medieval histórica capaz de prender o fôlego atrás de cada página.

Vamos a um pequeno trecho desse grandioso livro quando Brian reencontra os pais e cheios de orgulho por saber que o filho se tornou uma lenda se surpreendem que Brian tenha se encontrado com o próprio Saladino (que todo cristão julga ser a verdadeira cria do Inferno):

Brian soltou uma sonora gargalhada e disse com o olhar afável disse:

- Ele é um Príncipe de fiéis muçulmanos e homem austero, piedoso, caridoso e cortês, e tão bom soldado como a nós mesmos, pai. Ele é um cavalheiro de honra. Só que é um outro sangue e outra fé que a defende com toda a alma. Como você e eu. Sabia que ele deu um presente?

Brian poderia dizer que ao entregar alguns presentes e expor sua admiração pelo xadrez presenteado por Saladino, suas figuras de cristal e talhado em ouro, iluminada por candelabros, a lareira e as velas amarelas, adquiriu uma qualidade próxima da humana. Não havia tido a ocasião de admirar com atenção e, naquele momento, parecia esquisito e bonito. A admiração da família chegou a um entusiasmo inesperado. O mérito tinha contratado Brian , que até mesmo o inimigo dos inimigos da cruz ofereceu amizade e presentes? Os menestréis, que cantavam um pequeno coro, silenciaram sua canção.

Deixou o badalar dos alaúdes, com harpas e se fez um silêncio feliz na sala. Familiares, escudeiros, os nobres da casa, vassalos convidados e os empregados domésticos fixaram os olhos no objeto extraordinário que brilhava como uma centena de sóis. Suas retinas nunca tinha contemplado um tesouro de excelência.

Este é um livro fantástico e muito bom para entender algumas coisas que se passavam naquela época como o fanatismo das pessoas sobre a religião, o poder superior da Igreja em relação a Reis, a força de boatos que podem destruir as pessoas e principalmente sobre Os Templários.

Boa Leitura e até a próxima
Fernando Anselmo



sábado, 11 de janeiro de 2014

Dr. Ozzy

Antes de começar essa postagem gostaria de dizer que não, não publico aqui todos os livros que leio, publico apenas os livros que leio até o final. Alguns livros simplesmente começo a ler, eles me aborrecem e paro com a leitura (ou seja, nunca veremos esses livros por aqui). Resumindo, os livros que publico aqui li e recomendo todos. O livro dessa semana demorei dois anos para ler, comecei em 2013 e só terminei agora em 2014. É um livro muito divertido e interessante.

Confie em mim - Eu sou o Dr. Ozzy
Autores: Ozzy Osbourne e Chris Ayres
Título Original: Trust me, I'm Dr. Ozzy

O que se pode esperar do "Príncipe das Trevas" quando se pergunta: tenho um problema com drogas ou peguei meus filhos roubando coisas dentro de casa. Provavelmente algo louco como: envie suas drogas para mim ou atire seus filhos da ponte. Coisa nenhuma, este é um livro recheado de conselhos interessantes como: acho que deveria encarar seu problema de frente e procurar uma ajuda profissional ou já pensou em ter uma conversa franca com seus filhos? Fiquei bestificado com algumas respostas no qual esperava uma brincadeira ou na melhor das hipóteses um "vá se lasc...". Principalmente porque nas primeiras páginas do livro nos deparamos com coisas como: "Atenção: Ozzy Osbourne não é um profissional médico qualificado. Leia com cautela. É sério, leia com cautela".

Só que ao contrário do que se espera, Ozzy e seu departamento de pesquisas (o nome dele é Chris) encaram com real bom humor todos os temas propostos. E esses temas são todos polêmicos, tais como, Drogas, Álcool, Fármacos em geral, Sexo, Amizade, Família e até Genética, e sempre no estilo de perguntas e respostas, com algumas curiosidades e um teste no final de cada capítulo. Separei uma pergunta para que possamos ter uma boa ideia do estilo de Ozzy:

Caro Dr. Ozzy,
Recentemente fui ao Brasil e vi os alertas de saúde mais inacreditavelmente explícitos no verso dos maços de cigarro - bebês mortos, pés gangrenados, amputados, etc. Você acha que essa "tática do medo" funciona, ou é tão exagerada que tem o efeito contrário?
- Don, Greenwich, Inglaterra

O fato de alguém conseguir tragar e tossir um maço de cigarros inteiro enquanto olha uma foto de um tumor de garganta com trinta centímetros de largura só demonstra como essa porr... é viciante. Juro que, se alguém inventasse a nicotina hoje, ela estaria na mesma categoria da heroína - e digo isso como alguém que já fumou cigarros e usou heroína. Eu me lembro de ser tão viciado em tabaco que chegava a apanhar bitucas do chão para fumar. Nojento, cara. O fato, porém, é que, quando eles começam a imprimir essas imagens terríveis nos maços de cigarros - como cadáveres de crianças e coisas do gênero -, é o caso de se perguntar: "Então por que diabos continuam vendendo essa merd...?". Em algum momento, eles precisam proibir esse troço ou deixar que as pessoas continuem se matando.

Pode-se dizer que Ozzy é bem franco quanto aos temas propostos e tem um estilo brincalhão/sério por todo o livro, vai distribuindo seus conselhos, que são muito bem pensados, conta as experiências que teve e como fez para largar o vício. Logo na introdução do livro, "Se alguém me dissesse alguns anos atrás que eu escreveria um livro dando conselhos, eu daria um soco no nariz de quem zoasse comigo desse jeito", ainda bem que o pessoal do Sunday Times Magazine insistiu e Ozzy aceitou. Essa é uma das colunas de maiores sucessos da revista (tanto que foi parar também na Rolling Stone - A revista não a banda). Muitas vezes estamos lendo e sem perceber rindo muito como as perguntas e respostas:

Caro Dr. Ozzy,
Acabo de engolir um chiclete. É verdade que ele vai levar sete anos para passar pelo meu sistema?
- Frank, Portsmouth, Inglaterra

Não pode ser verdade, porque senão a esta altura eu seria meio humano, meio hortelã.

E nesse clima que a leitura do livro torna-se muito divertida, ou seja bem no estilo do "Príncipe das Trevas".

Boa leitura e até a próxima
Fernando Anselmo

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Dresden e os Lobisomens

O tema Lobisomens poderia se tornar algo chato e batido, com o título de Lua Cheia podemos inclusive confundir esse título com a saga Crepúsculo (e esperar um Jacob nu da cintura para cima, engraçado que como Hulk a calça nunca rasga). Graças que a criatividade de Jim Butcher andou em alta neste livro e no máximo temos uma bela Loba.

Lua Cheia - Livro 02 da Saga de Dresden 
Autor: Jim Butcher 
Título Original: Fool Moon - Book Two of the Dresden Files

Disse na postagem anterior que tinha adorado o primeiro livro e realmente as histórias são surpreendentemente interessantes, neste começo de ano pretendo dar continuidade a essa saga. Após os acontecimentos do primeiro livro, Dresden é finalmente chamado pela Tenente Karrin Murphy para auxiliar em um novo caso, dessa vez, os corpos são achados totalmente despedaçados e o que parece por um lobo. Além de enfrentar a descrença da polícia, o bruxo também vai ter que enfrentar o FBI que está a cargo desses assassinatos. Mas que Dresden leva tudo com bom humor de sempre:

E, por trás da mordaça, comecei a rir. Não pude evitar-lo. Ri, e soou como que me afogara em um charco de águas estancadas.
Todas as peças encaixavam.

Antes que se pense em algum plágio (ou semelhança) com Harry Potter, deixe-me dizer que o nome completo de Dresden é Harry Blackstone Copperfield Dresden, e esse Harry vem de Houdini, ou seja, o nome é a composição de nomes de grandes mágicos (como ele mesmo cita) uma singela homenagem de seu pai (que era mágico e não bruxo) quando ele nasceu.

Mais alguns detalhes da vida do personagem são expostos, ou seja, provavelmente o autor vai abrir aos poucos o personagem a cada livro. O detalhe mais marcante do livro é realmente conhecer todas as raças existentes de homens lobo. Segundo o cinema um homem lobo é alguém que é mordido por outro e na próxima Lua Cheia sofre a maldição de se transformar no bicho e só pode ser morto com balas de prata. A criatividade de Jim permitiu muito mais. Vejamos esse diálogo entre Dresden e Bob (um esqueleto incorporado por um espírito com memória de computador):

- Assim que havia homens lobo naquela época
- Está me gozando? - exclamou Bob - Estavam em pleno apogeu. Havia de todas as classes: Hexenwolves, Lobisomens, Licantropos e Loup-garou. Todas as classes de lupinos zoomorfos que possa imaginar.
- Zoo quê? - perguntei.
- Zoomorfos - repetiu Bob - Qualquer coisa que pode mudar de forma humana para a animal. Os homens lobo são Zoomorfos. Também os homens urso, os homens tigres, os homens búfalos...
- Búfalos? - perguntei.
- Claro. Alguns xamãs nativos americanos podem transformar-se em búfalo. Porem quase todos se transformam em predadores e, até muito pouco tempo, os homens lobo eram os predadores mais temíveis na Europa.

Pode-se dizer que as histórias deste bruxo sempre são uma mistura entre a comédia pura e a seriedade de Stephen King, sempre é uma surpresa a cada capítulo.

Boa leitura e até a próxima
Fernando Anselmo

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Dresden um Bruxo do Além

Acho muito difícil hoje em dia um autor de fantasia criar algo do totalmente zero, por exemplo na época que Tolkien escreveu o Senhor dos Anéis criou junto 22 idiomas para as raças, além das criaturas como Orcs, Elfos e Ents que simplesmente não existiam além de uma história completamente original. J. K. Rowling ao criar seu bruxinho Harry Potter já o fez com base em milhares de referências existentes e na série toda não existe uma única referência de algo que já não se tenha escrito antes, talvez a única coisa original seja o Jogo de Quadribol (se tirarmos a referência ao Beisebol). Antes que seja alvo de críticas por dizer isso, vamos ao livro.

Tormenta - Livro 01 da Saga de Dresden
Autor: Jim Butcher
Título Original: Storm Front - Book One of the Dresden Files

O narrador e personagem principal Harry Dresden é um bruxo que vive em Chicago, faz um bico de consultor da polícia e está nas páginas amarelas, e o livro é como se estivesse lendo o seu diário. Até aí bem original, se não fossem todas as referências ao sobrenatural e o modo como Dresden pratica a alta magia, é simplesmente impossível não pensar no personagem Constantine da Vertigo (que infelizmente ganhou um filme horrível). Em muita coisa os personagens divergem completamente, porém ambos tem em comum uma grande dose de ironia principalmente quando se trata de magia ou quando estão lidando com os inimigos.

Este é o primeiro de uma série de 13 livros já lançados (já encomendei todos para ler) no qual Dresden é chamado para verificar um terrível assassinato que foi praticado por um ato de magia negra, algo totalmente proibido pelo Conselho dos Magos Brancos (uma espécie de juri que julga a conduta dos magos), o que termina por colocar o próprio Dresden como principal suspeito, então o bruxo vai ter que enfrentar Demônios, Escorpiões Gigantes, Vampiros, Gangsteres e outros magos para tentar provar sua inocência.

Apesar de ser considerado um Libro de Bolsillo, para quem é fissurado neste tipo de literatura vai ter divertimento garantido com cenas como fadas adorarem pizza ou um demônio com a forma de um sapo. A legião de fãs existentes para esse bruxo é grande e já criaram até uma espécie de fã movie (um filme não oficial feito por fãs) que pode ser encontrado no youtube e quem sabe em breve não teremos um filme oficial realizado por algum grande estúdio (pelamordedeus sem Keanu Reeves no papel principal, apesar de seu personagem estar mais para Dresden que Constantine, acho que deram o roteiro errado do filme).

Então se você curte literatura fantástica do tipo Percy Jackson ou Mundodisco com certeza ficará bastante entusiasmado com Dresden.

Boa leitura e até a próxima
Fernando Anselmo

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

A Marca do Herege

O que pensar de um título desses? Pensei que estava na mão mais um livro sobre a idade média, ledo engado o que tinha na mão era mais um suspense policial e dessa vez no estilo de "A Garota com a Tatuagem de Dragão" da Trilogia Millenium.

A Marca do Herege
Autora: Susana Fortes
Título Original: La huella del hereje 

A obra envolve Santiago de Compostela (visita obrigatória de todo peregrino), onde na catedral é encontrado o corpo de uma jovem vítima de um assassinato e ao mesmo tempo desaparece da Biblioteca da Universidade um manuscrito de Prisciliano (um conhecido herege galego). A partir dessa trama, dois personagens tentam desvendar esse mistério, o subcomissário Lois Castro que é um policial a moda antiga e Laura Márquez uma jovem periodista que deseja ascender na carreira e conta com a ajuda de Villamil um repórter veterano. Do mesmo modo que Lisbeth Salander, a jovem Laura é uma espécie de hacker, lutadora de rua (só que no caso dela é esgrima) e totalmente a parte da sociedade.

No meio do caminho dos descobrimentos entram ecologistas, peregrinos, professores, seitas e padres com suas próprias ideias de salvação. Devo comentar também que a autora é licenciada em Geografia e História pela Universidade de Santiago de Compostela então, prepare-se, pois o conhecimento transmitido no livro desta cidade é incrível. Não espere porém encontrar um "Guia do Peregrino", em momento nenhum "O Caminho" é citado, apenas suas histórias, como por exemplo nesta referência sobre a "Concha" (símbolo do peregrino) que é usada como um cinzeiro por um padre:

A atmosfera estava quente lá dentro, e cheirava ao café que começava a borbulhar no fogão de ferro. Laura pediu permissão para colocar o gravador em cima da mesinha de centro. Uma concha servia às vezes como um cinzeiro. Tinha as bordas amareladas de nicotina. Havia várias espalhadas por todo o quarto. Márquez levou-se pela curiosidade. 
- O símbolo da peregrinação jacobina - disse colocando-a na mão -. Pelo que sei, foi também o emblema dos seguidores de Prisciliano . 
- Vejo que está bem informada - sorrio o pároco -. Podemos verificar as seguintes coincidências, sabes que o caminho em torno à Galícia empreendido pelos discípulos de Prisciliano com o corpo do mártir segue o mesmo itinerário ao longo dos séculos se converteria na rota de peregrinação jacobina. 
- Não, eu não sabia... 
- Embora existam aqueles que pensam que o caminho reproduz uma antiga rota druida - adicionou o padre como quem não quer a coisa -. Veja bem, há teorias para todos os gostos. Sobre o que você diz sobre a concha - continuou ele - foi seu discípulo, Prócula, quem adotou o símbolo quando priscilianistas refugiaram-se na Galícia depois de serem expulso da Aquitânia. 
- De pouco serviu esse abrigo. Também aqui foram perseguidos . 
- É claro - o pároco concordou, balançando a cabeça algumas vezes para cima e para baixo -, mas nunca chegaram a acabar com todos eles. Todo o Noroeste era deles, e a Igreja sabia. A Irmandade tornou-se uma sociedade secreta com um poder enorme. Tanto o Papa Inocêncio I, em 404, teve que solicitar a ajuda do imperador Honório para impedir sua expansão.

Resumidamente, este é um livro carregado de histórias, com um raro suspense policial para não se preocupar pois nos últimos capítulos tudo será esclarecido, porém fica um gostinho de saber mais sobre o que acontece com os personagens principais.

Boa leitura e até a próxima
Fernando Anselmo

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

O Alfabeto de Babel

Que tudo o colocado no Antigo Testamento são simples histórias referenciais e nada pode ser levado ao pé da letra acredito que todos, os não fanáticos, sabemos. Só que infelizmente existem pessoas que levam tudo ao total pé da letra pelo menos daí nascem boas histórias. Neste livro vamos descobrir o que vem a ser realmente "A Torre de Babel" no bom estilo de Dan Brown e Clive Cussler. Antes uma curiosidade, na língua primordial foi escrito o nome de Deus, que segundo as sagradas escrituras NUNCA deve ser pronunciado (tanto que se reparar existe um mandamento "Não falarás o nome de Deus em vão") com o risco de finalizar a criação.

O Alfabeto de Babel
Autor: Francisco J. de Lys
Original: El Alfabeto de Babel

A história é bem simples Gabriel Grieg, um arquiteto de Barcelona, recebe a visita de Catherine, uma bela jovem que o adverte que só tem 24 horas para escapar da morte (isso me fez lembrar de "O Código da Vinci"). O problema que este livro é bem diferente do estilo de Dan Brown e existe um excesso de informação e uma falta de ação. Somente mais da metade do livro aparece o vilão principal (no qual ainda ficamos da dúvida se realmente é o vilão). Resultado! Como livro para conhecer muitos detalhes da história da "Torre de Babel" é bem interessante além das profundidades da Igreja (Opa! agora vamos de "Anjos e Demônios", inclusive com referências ao conclave).

Além desses livros já citados temos mais algumas interessantes referências como o clássico "A Ilha do Tesouro" de  Robert Louis Stevenson (inclusive Gabriel consegue um exemplar autografado). A vida do arquiteto Antoní Gaudi, que morreu atropelado, foi confundido com um mendigo e quase enterrado como anônimo, e a sua obra máxima "A Sagrada Família". Além disso, existe uma frase que Gabriel cita que não conhece o autor: "A morte é uma caçadora tão implacável e segura de suas próprias forças que nos dá toda uma vida de vantagem antes de pegar-nos" (se estou correto li uma frase similar em "O Guia do Mochileiro das Galáxias" de Douglas Adams).

Toda a ação do livro se passa em 52 horas da vida de Gabriel, e como disse com muita, muita e muita informação, mas infelizmente muito pouca ação. Se deseja um livro "de ação para pensar" (essa frase ficou bem estranha) este é o livro ideal para ler pois no máximo consigo classificá-lo em um livro de referências e com uma interessante história.

Boa leitura e até a próxima
Fernando Anselmo